Pai-ra-béns! Começando a entender nossos pais.

Estou começando a entender meu pai e me entender melhor também, por assim dizer. Agora, com um pouco mais de idade, consigo dimensionar o quão difícil é ter um filho, o quão importante é educar uma pessoa, o paradoxo e a dificuldade de dosar o “deixar livre” e o “impor limites”. Na minha casa é curioso, meus pais sempre foram muito tradicionais, quadrados até, mas me deixaram vir morar em São Paulo muito cedo. Hoje noto que foi uma confiança enorme que tiveram em mim.

A impressão que dá é que eu passei uma época alimentando um abismo entre nós, a gente não brigava nem nada, nunca deixou de se falar, mas também não comungava das mesmas idéias. Inclusive isso continua em muitos assuntos, em muitos aspectos, mas a verdade é que não seria errado dizer que o que eu busco na pessoa que quero que esteja ao meu lado, se por acaso isso vir a acontecer, tem muito das características do meu pai. Tem muito de todo o companheirismo, humor e índole que meu pai sempre teve com a minha família e com a minha mãe. Me parece que tudo que é menos do que isso, é pouco. Faz parte das exigências ser tratada (e tratar) as pessoas com respeito como aconteceu na minha relação familiar e isso não tem a ver com casar na igreja ou não, ter ou não filho.

Uma vez, em casamento homossexual – digo isso porque acho que nesse contexto essa informação faz diferença – no discurso, uma das noivas citou o seguinte provérbio: “bendito aquele que consegue dar aos seus filhos asas e raízes”. As pessoas que me conhecem sabem o quanto isso mexeu comigo e o quanto eu odeio clichês. Mas se eu fosse responsável pela vida de alguém, igual meus pais foram pela minha por um tempo, esse seria meu ponto de partida. Ter orgulho do meu pai tem muito a ver com a paciência que ele teve de me esperar ficar mais velha e entender que a gente não precisa ser igual, inclusive ele me deu asas para que eu conseguisse ser diferente, mas que tenho raízes lindas, fortes e com muito cabelo branco.

Por Giovana Barbieri