A relação de Pai & Filho que vivem literalmente no mesmo barco.

Nossos amigos do projeto Mudda, durante sua jornada em busca da essência cultural do Brasil, sempre conhecem pessoas incrivelmente inspiradoras e, na Ilha Grande, por obra do destino, encontraram o Eric e o Alan, pai e filho que vivem em um veleiro há quase 2 anos.

Conheça essa história e veja um pouco do que eles tem pra contar:

O Eric nos contou um pouco sobre sua vida. Quando jovem velejou muito na Baía de Guanabara, competiu e chegou a participar de campeonatos internacionais. Despois de casado e com filhos, acabou se distanciando dessa paixão, mas a vida inteira sempre sonhou morar em um veleiro. Separou-se de sua esposa há 20 anos e foi morar em Sana, interior do RJ. O Alan resolveu seguir os passos de seu pai e acabou indo morar com ele, como o Eric mesmo contou. “Depois disso não desgrudou mais”.

A ideia inicial era comprar um terreno para cultivar mudas de reflorestamento com um intuito de deixar um legado, algo bom para as pessoas, mas por problemas de autorização fiscal a dupla acabou desistindo. Porém, como nada acontece por acaso, essa foi a oportunidade para o Alan realizar o sonho de vida do seu pai. Em dois anos encontraram o veleiro ideal e se mudaram para o mar.

A dupla iniciou sua jornada no mar de Paraty, depois passou por Niterói e hoje está na praia da Julia, próxima à Vila do Abraão. Lá, pai e filho vivem de passeios turísticos e charter, assim vão pagando suas despesas e custos. O próximo objetivo deles é ancorar por um tempo em Fernando de Noronha e, mais no futuro, desbravar as águas do Caribe. Eles nos contaram como é viver no mar –  solidariedade e instinto de comunidade  são essenciais . Nessa imensidão de oceano, onde encontrar pessoas não é tão comum, eles aprenderam ainda mais a ajudar e respeitar a natureza.

Cheguei a repetir algumas vezes uma pergunta para o Eric: “Qual era seu sonho em relação à educação do seu filho?”. Porém, parece que a essência de Eric não o deixou responder o óbvio. Não que uma escola ou uma universidade de qualidade sejam irrelevantes, mas no ponto de vista dele o primordial era que seu filho fosse parecido com ele.

Faz sentido pensar assim quando se é uma pessoa incrível como o Eric, não importa qual o diploma ou qual a universidade em que se formará, mas sim o caráter que será construído.

Durante toda a conversa ficou claro para nós que eles não são apenas pai e filho, a relação que eles possuem vai além, é uma cumplicidade e uma amizade rara de se encontrar. Ao ver o vídeo da entrevista, fica claro que o sonho do Eric se concretizou, pois os dois parecem irmãos, a mesma pessoa em tempos diferentes. Enquanto eles falavam sobre a história toda,  parei para refletir. Meus pensamentos foram longe, chegaram no meu pai, em SP. Dei-me conta que já não o vejo há mais de 40 dias, lembrei de tudo que eu tinha feito com ele até hoje, mesmo sabendo que não há comparações, pois cada um tem sua história. Veio àquela sensação de saudade, meu melhor amigo não está do meu lado para eu olhar em seus olhos e dizer: “Eu te amo pai”.

Nesse domingo eu verei meu pai com outros olhos graças ao Eric e seu filho. Meu melhor amigo me criou, me educou e hoje estou disposto a retribuir isso tudo, porque sei que estaremos sempre no mesmo barco.

Por Mudda

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Editado por: Fernanda Russo Filomeno