A loteria do check azulzinho do WhatsApp

“E aí, tá afim de fazer alguma coisa esse final de semana?”

Dizem que existe três coisas na vida que não se recuperam: a pedra atirada, a palavra falada e a mensagem de WhatsApp não respondida. Meu Deus do céu, como é ruim. Confesso que eu mesma já apliquei essa técnica em algumas conversas que não tinham mais pra onde ir. Mas parecia natural, eu já tinha deixado claro de alguma forma que aquele diálogo não ia terminar bem, então para não ser rude, parei de responder.

Mas como é diferente quando fazem com a gente. Cada vez que o celular apita, e você conclui que não é a resposta da pessoa que você tava esperando, o peso do ‘O que que eu fiz de errado?’ vai aumentando e abrindo uma cratera na nossa consciência.

Daí você se vê frente a frente com um problema que nem sempre tem solução, porque a esperança, meus amigos, não desiste tão fácil. A esperança é a campeã olímpica no ping pong, que fica jogando com a nossa mente a brincadeira do “E se..”. A esperança manda daqui e a mente responde dali, até a hora de sair de casa, quase sempre, nada foi concluído.

É verdade que o Facebook aumentou a depressão das pessoas, o Snapchat o exibicionismo e o WhatsApp a ansiedade. Se você tivesse ali, no telefone, perguntando ao vivo se a pessoa estava afim de fazer alguma coisa no final de semana, dificilmente a resposta não viria. E isso não quer dizer que a resposta seria positiva mas que viria, viria.

É verdade que o Facebook aumentou a depressão das pessoas, o Snapchat o exibicionismo e o WhatsApp a ansiedade.

A impressão que dá é que cada vez que você manda uma mensagem no WhatsApp, por mais que exista visualização, check azulzinho, é uma grande loteria. Vamos pensar assim: a pessoa recebe essa mensagem bem na hora que o chefe passou do lado da mesa e desliga logo o celular. Meu, às vezes a adrenalina é tão grande que, aquela mensagem que causou mal e desconforto, nunca será respondida. Ou então no trânsito, a mensagem ia ser respondida e o semáforo abre, a felicidade de sair do engarrafamento é tanto que aquela mensagem será descartada oficialmente.

Eu sinceramente não ligo quando os meus amigos não respondem as minhas mensagens, afinal, eu não estou interessada em nenhum deles. Mas o silêncio em uma pergunta que decidiria o seu final de semana é muita sacanagem.

Será que existe a probabilidade da pessoa estar pensando o que ela vai fazer no final de semana? Talvez nem ela saiba, pode ser que ela dependa da mãe, que tá vindo pra São Paulo, mas se o pai precisar ir ao médico, o irmão não tem com quem ficar e pra explicar tudo isso numa mensagem fica confuso, mas não responder?

Tem sempre aquele cara que manda a pergunta do final de semana para uma lista de cinco meninas, em que responder primeiro, ganha. Mas a verdade é que, na maioria da vezes, até esses esperam uma resposta.

Eu aprendi a responder pra todo mundo, talvez essa tenha sido a lição tecnológica que a vida me aplicou nesse último mês. Apita o celular: “Vamos, o que você sugere?”. UFA! Quanto drama à toa.

Por Giovana Barbieri